Beatriz se assustou ao ver faca e morador de rua a matou para silenciá-la, diz Secretário de Defesa Social de Pernambuco
Em coletiva de imprensa realizada nesta
quarta-feira (12), no Recife, Humberto Freire falou sobre a demora em apontar um
autor para o assassinato, que ocorreu no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora.
Na terça (11), seis anos, um mês e um dia
depois do caso, a SDS afirmou que identificou o morador
de rua Marcelo da Silva como o homicida. Ele foi indiciado pelo
crime no mesmo dia do anúncio.
"Temos a motivação alegada se coadunando
[coincidindo] com a dinâmica dos fatos que, ao haver contato do assassino com a
vítima, ela teria se desesperado e por isso foi silenciada a golpes de
faca", declarou o Secretário.
Participaram da coletiva o secretário de
Defesa Social, Humberto Freire; o chefe da Polícia Civil, Nehemias Falcão; a
coordenadora o do Central de Apoio a Promotorias (Caop Criminal), Ângela Cruz;
e o gerente geral da Polícia Científica, Fernando Benevides, que tomou posse do
cargo neste mês.
Não
participou da entrevista nenhum dos delegados que participaram da força-tarefa
criada em 2019 para investigar o caso. Os pais de Beatriz, Lucinha Mota e
Sandro Romilton foram impedidos de participar da coletiva, mas foram chamados
pelo secretário para uma conversa antes da entrevista. A mãe da garota afirmou
que precisa de mais elementos e informações para considerar que o caso está solucionado.
Evidências
Marcelo da Silva tem 40 anos e vive em situação de rua. Ele nasceu no Sertão do estado, e desde 2017 estava preso pelo crime de estupro. Em 2019 ele teve material genético colhido para inserção no banco genético do estado, num mapeamento de todos os condenados do sistema prisional.
No
final de 2021, surgiu o primeiro indicativo que apontava o DNA de Marcelo como
sendo o mesmo encontrado na faca.
"A
partir dessa melhoria desse refino e sua inclusão com esse refino no banco
surgiu o primeiro indicativo ainda em 2021 e, a partir desse indicativo,
diversas outras análises são necessárias para comprovação. Chegamos a afirmar
técnico cientificamente, de forma cabal por quatro peritos geneticistas, que,
depois do primeiro indicativo e de outros exames, sempre foi confirmada aquela
indicativa inicial", explicou Humberto
Freire.
Na
primeira semana de janeiro, Marcelo da Silva foi levado ao Fórum de Trindade,
também no Sertão, para um procedimento acerca de outro crime pelo qual
responde. Segundo o secretário Humberto Freire, ele já foi preso ao menos três
vezes por estupro de vulnerável e crime contra o patrimônio.
De
acordo o secretário de Defesa Social, o DNA de Marcelo teve total
compatibilidade com o material genético encontrado no cabo da faca encontrada
no corpo de Beatriz. Depois desse exame, o suspeito passou por um depoimento em
que, segundo diz a polícia, confessou o crime à força-tarefa criada para
conduzir as investigações.
Em 2017, a polícia divulgou imagens de um homem suspeito de ter sido o autor do crime. Segundo a SDS, trata-se de Marcelo da Silva.
Humberto
Freire disse, ainda, que apesar de as investigações seguirem em curso, está
certo de que o assassino da menina Beatriz foi encontrado.
"Temos
um crime em que o acusado encontra-se preso por outro crime de estupro de
vulnerável, estupro de uma menor; temos um acusado que, além desse histórico,
narrou aos delegados que o interrogaram com detalhes a dinâmica dos fatos e isso
só corrobora que de fato os elementos necessários foram atingidos para na data
de ontem fazer esse indiciamento", afirmou.
Família
Mãe de Beatriz, Lucinha Mota disse que espera que Marcelo da Silva seja, de fato, o autor do crime. No entanto, ela não acredita que a menina tenha sido morta de forma aleatória e que ela tenha sido escolhida pelo criminoso.
Lucinha Mota disse, ainda, que acredita que o
assassino de Beatriz tenha agido a mando de alguém. Afirmou, ainda, que
problemas do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora podem ser a motivação.
"Todo crime tem uma motivação e a forma
como foi praticada é muito violenta, praticada com muito ódio. Eu já conversei
com diversos especialistas, nosso advogado, doutor Alex, é a pessoa certa para
falar a respeito, mas ali existe uma relação entre as duas partes. Foi da
família? Não foi, porque eles não encontraram, porque não tem. Nós não tínhamos
inimigos, não tínhamos rixa, não tínhamos dívidas, não tínhamos problema
nenhum. Mas o colégio tem", declarou.
Ministério Público
Entenda o caso
Beatriz Angélica Mota participava da
formatura da irmã, no dia 10 de dezembro de 2015, quando saiu do lado dos pais
para beber água e desapareceu. Esse momento, que ocorreu às 21h59, foi filmado
e as imagens são consideradas as últimas feitas da menina com vida. Pouco tempo
depois, o corpo de Beatriz foi encontrado num depósito desativado de material
esportivo, localizado perto da quadra em que ocorria a formatura. Ela foi
achada com uma faca cravada na região do abdômen.
Ao longo de seis anos, o Caso Beatriz teve oito delegados. Desde a data do assassinato, foram realizadas sete perícias. O inquérito acumulou 24 volumes, 442 depoimentos e 900 horas de imagens analisadas.
O
anúncio da autoria do crime ocorreu somente 15 dias depois que os pais de
Beatriz percorreram durante 23 dias mais de
700 quilômetros a pé, entre Petrolina e o Recife, para pedir justiça.
Após a caminhada, os pais da menina se
reuniram com o governador Paulo Câmara (PSB), no Palácio das Princesas, sede do governo. O governador
afirmou que era favorável ao processo de
federalização das investigações.
No
mesmo dia, o chefe do Executivo estadual anunciou a demissão do perito Diego Costa,
que prestou consultoria ao colégio onde a menina foi morta. Segundo Humberto
Freire, ele "comprometeu a função
policial" e, por isso, foi exonerado.
Ao longo do processo, um funcionário terceirizado da
escola, Alisson
Henrique de Carvalho Cunha, teve a prisão decretada por apagar imagens das câmeras de segurança do colégio,
atrapalhando as investigações. Segundo a SDS, o material foi completamente
recuperado.
Após a identificação e confissão do suspeito à
polícia, a mãe da menina, Lucinha Mota,
fez uma transmissão na internet para dizer que ainda faltam respostas sobre o
assassinato.
Fonte: Portal de Notícias G1
Comentários
Postar um comentário